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domingo, 2 de dezembro de 2012

Podia ser hoje

Estava ali a reviver O Tal Canal, e entre cortes no 13º mês e referências à vida estar cara, as notícias estão muito actuais.

Fica aqui o Tony e o Sérgio:


sexta-feira, 6 de julho de 2012

Estava na hora...

... de começar a desenterrar a cabeça da areia. Pouco a pouco, vou subindo os degraus de volta. Ainda falta um bom bocado. Hoje consegui resolver mais uma das minhas neuroses. Ou começar a resolver, pelo menos. Às vezes parece que os primeiros passos são os mais complicados de dar.

Mudando de assunto, hoje também reparei que um bocadinho de rímel consegue fazer diferença. Ou então é mesmo só do estado de espírito.


Dedinhos, preparem-se, têm muito que escrever, há uma tese à vossa espera. só falta a colaboração simultânea do cérebro...

sábado, 2 de junho de 2012

Tunísia

Acalmados os ânimos, vou partilhar convosco uma das minhas memórias mais bonitas, que teve lugar na Tunísia. Não me lembro do ano, tenho de começar a apontar nas fotografias esse tipo de dados, já que o meu cérebro não colabora. Devia rondar os 17-18 anos, também não vem muito ao caso. Há muitos detalhes da viagem dos quais também não me lembro bem, portanto isto hoje é curto.

Sei que fomos de Portugal num avião da TunisAir cujo nome tinha lá pelo meio a palavra Kacem. A coisa prometia, portanto.


Já no destino, juntámo-nos a mais umas pessoas que vieram do Porto e conhecemos o nosso guia, muito simpático mas não me lembro do nome. Lembro-me que falava português, que era vaidoso como tudo e que se vestia à arabesco mas com estilo, todo o pormenor muito bem planeado. Além do guia do grupo conhecemos também o nosso condutor, visto que íamos numa caravana de 4x4 para todo o lado. Também não me lembro do nome mas era um bastante familiar (de repente só me ocorrem Abdul e Jafar - o do aladin - mas acho que era algo parecido com Mahmud). Era mais calado, mais tímido, só falava francês, mas lá lhe demos a volta e a meio da viagem já estávamos todos à vontade.
Lembro-me do cuidado que o guia tinha em avisar-nos sempre que chegávamos a qualquer lado dos sítios onde podíamos beber sem que dez minutos depois não tivéssemos de ir a correr à casa de banho. Penso que em toda a viagem me escapei de grandes dores de barriga, já não posso dizer o mesmo do meu pai, que fez o "Mahmud" ultrapassar os limites de velocidade a caminho do hotel a pedinchar em francês porque tinha mesmo mesmo MESMO de ir à casa-de-banho ASAP. O "Mahmud", assim como o resto das pessoas no carro, ria-se, claro. Foi antes de chegarmos a este hotel:


Claro que o meu pai zarpou a alta velocidade lá para dentro ainda nós estávamos a sair do carro. É para aprender a beber só água mineral engarrafada. Houve uma parte da viagem em que o guia nos levou lá a um amigo para beber limonada, dizia ele que era a melhor e que era feita com água engarrafada. Foi um bom negócio para todos, porque de facto era capaz de ser a melhor limonada que alguma vez provei, e FRESCA (que a Tunísia é coisa para ser no meio do deserto).

Em Matmata ficámos num hotel com uma construção típica da região, onde as habitações são 'esculpidas', para não dizer 'escavadas', a partir do ambiente envolvente. De facto é do tipo de construção onde se estava melhor, era mais fresquinho e menos pretensioso que os hotéis todos xpto.

O hotel
Uma das voltinhas na região
Também em Matmata fomos visitar o local onde decorreram algumas das filmagens do Star Wars. No filme estaríamos então no planeta Tatooine, onde o Luke passou a sua infância com os tios.

O local das filmagens
O Luke infelizmente não se encontrava lá, tinha ido caçar uns guardas imperiais

Podia estar um calor infernal, mas tínhamos sempre algo com que nos refrescar, apesar de andarmos sempre dum lado para o outro:


Também andámos a ver ruínas romanas, em Cartago, andámos pelas ruas mais comerciais, onde era obrigatório regatear, apesar de eu não apreciar, vimos mercados mais tradicionais. Trouxe pouca coisa, apesar de as coisas lá serem relativamente baratas. Trouxe incenso, trouxe uns frasquinhos de perfume em vidro trabalhado para a minha mãe, lindos de morrer, e baratos, sendo que já os vi cá à venda em algumas daquelas bancas que tem 1001 coisas do género, com pulseiras e tal, e custavam o triplo, trouxe um penduricalho contra o mau olhado, uma espécie de olho azul, que andou séculos pendurado no retrovisor do carro, não por ser contra o mau olhado mas porque eu gostava mesmo daquilo, era bonito. Cheguei a ver cá à venda mas eram muito mais feios. Ainda o tenho, mas está reformado. Eram zonas bonitas, mas algumas muito turísticas.


Um belo dia, em Tunis, resolvemos pegar em nós e dar uma voltinha sem o guia. Levámos só o essencial, por segurança, e lá fomos nós. Foi engraçado, nada do outro mundo, mas resolvemos voltar para trás quando chegámos a um mercado tradicional e... bom, digamos que com aquele calor, ver carne pendurada às moscas e com uma cor (e o cheiro, senhores, o cheiro) duvidosa... ficou gravada na minha memória a imagem de uma mão de vaca pendurada, meia esbranquiçada/amarelada, com as pontas das unhas enegrecidas.
Tunis
O calor era, por regra, infernal, mas até se aguentava bem, porque era seco. Lembro-me de uma altura, lá no meio de umas ruínas, calhaus e mais calhaus até onde a vista alcança, perguntei que temperatura estaria ao guia, ele olha para o relógio todo armadilhado que tinha e diz-me que estão 49 graus... surpreendentemente, não me lembro de ter apanhado nenhum escaldão, e oh se sou susceptível...
Quanto à comida, não tenho do que me queixar. Não comi muita carne, porque também não sou muito disso, mas comi muito couscous, de todas as maneiras e feitios. Comi bem, sempre. Nunca houve lado nenhum em que não gostasse da maior parte das coisas que me apresentavam. Foi lá que pela primeira vez vi azeite a servir de entrada, com pão. E que bom que era. Há muito olival para aquelas bandas, e bom azeite.

Mas chegamos à parte que aqui me trouxe, a melhor parte desta viagem, sem qualquer margem para dúvidas. Ksar Ghilane, um oásis no meio do deserto do Sahara (não será no meio, mas parece). E é o típico oásis que nós imaginamos. Palmeiras, água no meio e uma imensidão de areia à volta. Ainda levou bastante até lá chegarmos, lembro-me de pensar que se TODOS os 4x4 por algum motivo se avariassem ali estávamos bem arranjados. A meio caminho havia uma espécie de posto de apoio, com água e outras coisas, e tinha também lá estes amigos:

Raposas-do-deserto, ou fenecos
Não sei porque lá estavam, não sei o que lhes iam fazer, fiquei um bocado apreensiva, mas elas estavam sossegadas e pareciam bem tratadas, e as pessoas dali não tinham mau ar...
Fizemos algumas paragens para esticar as pernas, e aproveitámos para guardar um pouco da areia do deserto para trazer como recordação. A areia do deserto é tão fininha, e varia de cor de local para local. Ainda tenho ali os frascos numa prateleira, juntamente com calhaus e conchas de outras viagens.
Chegando ao oásis, foi um deslumbramento do princípio ao fim. Fomos ver as nossas tendas, pousar as coisas, tomar um banho e trocar de roupa, para depois nos juntarmos todos para uma festa à noite. Foi lindo, uma fogueira no meio, tudo divertido, os guias e os condutores todos animados, puseram-se a dançar uns com os outros (que isso de dançar homens com mulheres lá não se usa). Foi bonito. Ainda fui à piscina dar uma de foquinha, até a piscina era linda, com água até à borda, com uma cor verde (em vez do tradicional azul) fantástica. No fim da noite, estávamos nós no bar, um dos guias perguntou ao meu grupo (éramos 6 ou 7 ou 8, já não me lembro) se não queríamos ir ver uma coisa bonita. Ninguém percebeu muito bem o quê, mas seguimo-lo. Quando começamos a segui-lo para trás de umas dunas, sem vermos um boi à frente, já estávamos preparados para lutar pela nossa vida. Até que passadas as últimas palmeiras, dei com o céu estrelado mais fascinante que alguma vez vi até agora. Sentámo-nos todos no topo de uma duna a contemplar o céu. Até hoje, sempre que me lembro disto emociono-me. Já não me lembro se ele contou alguma história, eu também de francês não pesco muito. Lembro-me de enterrar as mãos na areia e de sentir as camadas inferiores ainda quentes. Era lua nova, o que facilitou ainda mais a vista. A escuridão do deserto também. Passado um bom bocado lá fomos dormir, mas eu e o meu pai levantámo-nos cedo para ver se dávamos com aquele sítio para ver o nascer do sol. Lá fomos nós, eu ainda fui com a camisola do pijama, que mal abria os olhos. Dei por mim a reparar que no caminho havia imensos trilhos de bichos rastejantes, pelo que na noite anterior não estávamos sozinhos, deviam estar milhares de bichos à nossa volta, mas tudo bem, aproveitei muito melhor assim, sem estar com a preocupação em manter-me viva no meio de cobras e escorpiões. Bom, para dizer a verdade só vi grilos e escaravelhos... mas não interessa. O nascer do sol não foi tão interessante como o céu estrelado, mas foi uma visão bonita de qualquer modo, a imensidão de areia à nossa volta. Estava muita poeira no horizonte, pelo que o brilho do sol estava perfeitamente suportável para olhar directamente, pelo menos até certa altura. Ksar Ghilane é um must-see se forem um dia à Tunísia. Parece que também há boas praias, mas essas não me calharam na rifa. Quem sabe se um dia lá voltar... Podem ver mais fotos aqui (cliquem nas fotos e vejam a galeria toda) ou aqui (link), mas deixo-vos algumas minhas de Ksar Ghilane para terminar:

o acampamento


a toca de um ser rastejante, como o grilo aqui à esquerda, e os trilhos característicos


quarta-feira, 30 de maio de 2012

Nuvens negras

Aviso prévio: excepcionalmente, vai ser um post negro. Depois disto a coisa há-de voltar ao normal.


Não lido bem com a morte.

Não é que a morte seja algo com que as pessoas lidem bem, claro que não. Mas desde que o André morreu que lido ainda pior com a morte. Cerca de um ano antes foi a minha avó, e se me custou, mas não foi a mesma coisa. Lembro-me dela muitas vezes, mas com o André foi diferente. Não passa um dia sem que eu tente analisar o que se passou, na tentativa de conseguir resolver este assunto dentro de mim. Além disso, penso muito na pessoa que eu era antes e no que me tornei. Num certo ponto de vista, penso que me tornei numa melhor pessoa. Será que foi por isso? Ou foi uma coisa natural que veio com a idade? Por outro lado, não tive ainda força para ultrapassar a morte do André e isso tem-me transformado numa sombra. Com toda a situação familiar envolvente, que também não era a melhor, chego à conclusão que este acontecimento é o fardo mais pesado que carrego até hoje. Sentimento de culpa? É parvoíce, a culpa não foi minha. A culpa não foi de ninguém. A culpa foi de todos? A verdade é que nunca fui capaz de contar toda a história, mesmo toda, a ninguém, o que leva a que alguns façam juízos errados sobre alguns comportamentos meus. Deixa-os fazer.
Há tempos, quando resolvi ir a uma psicóloga por outros motivos, apercebi-me que esta questão é mais grave do que poderia pensar. Como é natural, a psicóloga fez primeiro as perguntas da praxe, historial, etc. Perguntou sobre a família. Fiquei ali dividida. Falo no assunto, se não foi isso que me cá trouxe? Mentir também não é correcto, mesmo que ela nunca venha a saber. Resolvi dizer o essencial. Ela não era parva, percebeu que ali havia coisa, mas também não quis entrar muito por aí, disse que havia de se trazer as coisas antigas quando se achasse boa altura, mas que tinham que ser resolvidas. Dei por mim quase num pranto, num esforço imenso para não quebrar. E consegui, mas se calhar não devia ter conseguido. Se calhar foi mesmo tudo o que está para trás o que me levou ali. Não sou muito de psicólogos, mas pode ser que ainda lhe dê mais uma oportunidade. Nada disto tem cura rápida.
Desde 1995 que lido pior com a morte. E desde 1995 que eu me afasto de tudo e de todos quando me sinto pior por algum motivo. Fechar-me tem sido a pior das minhas opções, mas mesmo sabendo disso e por vezes mesmo tentando contrariar, acabo sempre por me fechar no meu cantinho, mesmo que esteja no meio de amigos.
Desde 1995, felizmente, têm havido muito poucas mortes humanas próximas. Não que não seja um pensamento que me assombre, mas isso acho mais habitual. Quem me conhece sabe que os animais são importantes para mim. Tendo seguido uma área relacionada, pensei que podia perder um bocadinho da sensibilidade extra que tenho relativamente aos animais, aquela que já atrapalha, o '80' do '8 ou 80'. E de certa maneira resultou. Menos com a parte da morte. Lido bem com o dia-a-dia, lido bem com eles na doença, faço o que puder, mas o momento da partida, sobretudo se for nas minhas mãos, fere-me por dentro. Felizmente na maior parte das vezes estava sozinha, chorar alivia, mas alturas houve em que não podia. É um pau de dois bicos. Se estou presente é fodido, se por algum motivo não posso estar presente a sensação de perda ainda dura mais tempo. O pior passa, sempre, mas cada uma vai acumulando, vai pesando. Até quando? Para sempre? Como é que se resolve algo que não tem resolução? Enterrar num buraco da mente não ajuda, já vi que não. Deitar tudo cá para fora muda alguma coisa? Penso tanto nisto tudo que por vezes o cérebro parece que frita. E não é voluntário, isto do pensar demais nas coisas. Bem luto contra isso. Mas não há cá trancar pensamentos, eles têm vontade própria.

Há que mudar. Mas mudar o quê? Sinto-me fraca. Sinto que podia fazer, que podia ser muito melhor que isto. Pode ser que ainda não seja tarde demais, o tempo passa com uma rapidez alucinante, mesmo parecendo que passa devagar para outras coisas.

Tudo isto me define em parte, mas não exclusivamente (felizmente). Também há coisas boas. E são essas coisas boas que me vão dando força. Mal ou bem, cheguei até aqui.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

As visitas do Tito

O Tito é um dos meus primos, o mais novo, 5 meses mais novo que eu.

Por volta dos meus 3 anos, uma das memórias mais antigas que tenho, o marido da minha tia pegou nela e nos 4 filhos e foram para a Austrália. A partir daí, fomos mantendo o contacto através de cartas e fotografias, uma caixinha com presentes, quando o rei fazia anos. Só quando já éramos grandinhos é que houve a oportunidade de eles nos virem visitar a Portugal, porque a viagem é grande e pesada financeiramente.

Dos 4 só vieram 3, em alturas distintas. O mais velho resolveu que não queria voltar, acho que tinha um certo receio de querer ficar, isso e ser Jeová e ter lá as suas responsabilidades.

Como o meu primo tem mais ou menos a mesma idade que eu, lembro-me com mais pormenor das visitas dele. Seja pela idade ou pelas coisas que ele às vezes me fazia...

Uma das vezes estávamos no sofá a ver televisão, deitados cada um para o seu lado até que resolvemos coçar os pés um ao outro. Adaptámos o princípio de "uma mão lava a outra" para "uma mão coça o pé do outro". Só aconteceu dessa vez. Porquê? Porque o menino Tito quis brincar ao "vamos estalar os dedos dos pés". Fiquei dois meses com o 2º dedo do pé direito inchado e dorido. Já ele tinha voltado para a Austrália e ainda me doía o dedo. Obrigada Tito, ainda hoje me dói o dedo quando muda o tempo.

Noutra das suas visitas, além de partir 2 frascos de perfume à minha mãe e de lhe desaparecer com umas pulseiras, resolveu brincar às cuspidelas. Estávamos os dois à janela na conversa quando ele começa a treinar variados tipos de cuspidela, em variadas direcções. Mesmo à miúdo (era isso e traques). Não sei como é que ele conseguiu fazer aquilo, visto que eu estava directamente ao lado dele, aí a um braço de distância. Claro que me acertou. Nojento. Nesse mesmo ano resolveu experimentar apertar-me o antebraço de forma a testar a maleabilidade dos meus ossos. Conseguiu juntar o rádio ao cúbito. Fiquei uns dias com o antebraço a latejar, mas sem sequelas.

Numa das mais recentes viagens ao país natal (corria o ano de 2001), tinha eu feito recentemente a minha primeira tatuagem, a qual lhe mostrei orgulhosamente. Ele não acreditou. Ele teve de testar a veracidade da tatuagem com as suas próprias unhas. A tatuagem ainda não estava completamente sarada. Ouch.

Os anos passaram e o Tito tornou-se um homenzinho, sinistro diria eu, mas não deixa de ser meu primo. Veio cá o ano passado, e queria ir sair à noite. Ora, sair à noite (pelo menos como ele queria, ir para uma discoteca, pum tch pum tch pum a noite inteira, conhecer pessoas - vulgo gajas) nunca foi muito a minha onda, sempre preferi sítios onde se possa conversar, sentar, estar à vontade, com música ao meu gosto, beber uns copos e quem sabe até petiscar qualquer coisa. Deixo-vos aqui umas pérolas que ele tem no facebook, para perceberem o porquê de eu não querer ir sair à noite com o Tito, querido priminho que é um bacano, mas que... enfim... ainda por cima anda com a mania das boinas e dos chapéus, que lhe ficam a matar, e digo isto com toda a ironia possível.



Bom, passando à frente, claro que não tive cara de lhe negar uma saídazinha. Arrastei uma amiga minha (desculpa A.L., eu fazia o mesmo por ti, tu sabes) e lá fomos nós, com ideias de ir à Kapital (brrrr). Esforcei-me para apagar essa noite da minha memória, só sei que passámos por vários sítios, mas como era véspera dos santos populares estava tudo às moscas. Lá acabámos na Kapital, pouca gente, pouca vontade de dançar (ele não, ainda queria ir dar um show de dança lá no meio - medo). Antes de ir para casa ainda fomos comer qualquer coisa, e cheguei à cama com a sensação de ter perdido umas valentes horas de sono praticamente em vão. Ao menos que estivesse cheio de gente, que ele se perdesse lá pelo meio, que se tivesse divertido imenso, mas coitado também foi embora com a sensação de ter sido um flop. Como eu estava em estágio, não ia ter mais oportunidades de sair com ele (ufa), mas disse-lhe logo para desafiar os primos e primas que ele tem cá do lado do pai e acho que se safou.

Pelo menos da última vez que cá esteve não me aleijou, estou para ver o que me calha na próxima visita.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Próximo post

Quando conseguir fazer mais uns scans, vou escrever sobre como a combinação de uma canoa, uma lata de Mello Yello e o Rio Chattanooga, no Tennessee Rio Coosa, no Alabama, pode resultar num episódio de tragicomédia. Basta para isso ter lá estado a minha pessoa, e pior, com alguém que partilha a minha "graciosidade". Tenho bem a quem sair.



Edit: Ignorem a minha má memória geográfica...

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Introspecção... again

Ontem foi um dia... menos bom. Digo menos bom e não mau porque felizmente tenho saúde, tenho um tecto, não me falta comida. Por coisas desse tipo não me sinto no direito de dizer que tive um dia mau, sinto-me agradecida pelo que tenho.

Mas sinto-me mal. E a culpa é minha. Possuo várias características que me tornam mais vulnerável à decepção e, sabendo disso, caio sempre no mesmo erro (bom, não no mesmo, mas numa das suas infinitas variantes): deixo-me levar cedo demais e sem dar conta. Claro que o resultado não é agradável.

Diz-se que "gato escaldado da água fria tem medo". A minha vida, no que toca a relacionamentos, não tem tido bons exemplos. Também não tenho sido muito felizarda nesse campo. Mas continuo a acreditar, e invariavelmente a cair no mesmo erro. Será caso para aparvalhar: o gato pode ter medo, mas continua a ter de beber água.

E às vezes o gato, por beber só quando a sede aperta, engasga-se.

E dói. É sinal de vida, verdade, mas é desagradável, e tudo o que é demais enjoa. Eu cá sou pelo equilíbrio. Um bocado de bom, que sabe bem, um bocadinho de mau, porque não se pode fugir a isso e porque acaba por não se esquecer o valor que o bom tem. E o karma, se existe, estaria a meu favor. Ou então tenho mau karma acumulado de há 3 vidas para cá.

Resta-me analisar quanto deste comportamento é estupidez, inaptidão, azar ou trauma. Porque gostava mesmo de saber, porque tentar mudar com base empírica não tem resultado. Preciso de um bocado de ciência, quanto mais não seja para abordar o problema de outra forma.

Era tudo mais fácil se pudesse desligar essa parte de mim (a afectiva) como se houvesse aqui algures um interruptor. Mas ao mesmo tempo não gostava de deixar de sentir. E isto tudo, isto de pensar demais nas coisas, dá cabo de mim. E o maior problema disto tudo é que não só dá cabo de mim como extravasa para o outro lado, e o outro lado não tem culpa que eu seja maluquinha...

"Então não penses demasiado nas coisas". Não dá... Enquanto não arranjar algo que me consuma, algo em que me consiga concentrar, que me dê gosto, que me faça descansar a parte afectiva da mente, não dá. E se por acaso conseguisse perder um bocado a sensibilidade, depois se/quando vier A oportunidade não a ia aproveitar a 100%, também não quero.

"Então aguenta-te à bronca". E aguento, que remédio. Mas depois há dias como o de ontem. Mas hoje será melhor.

Até à próxima queda, uma pessoa distrai-se. Quem sabe, pode ser que me distraia de tal maneira que quando me deixar levar outra vez não haja queda...

sexta-feira, 30 de março de 2012

terça-feira, 20 de março de 2012

Memórias episódicas de outros tempos

   Já um pouco mais confortável, vamos lá voltar ao plano inicial: memórias.

   De quando datam as vossas memórias mais antigas?
   As minhas são de quando tinha 3 anos. Parece que a partir dessa idade comecei a registar uma série de acontecimentos (normalmente menos bons, curiosamente) que de vez em quando me assaltam o cérebro. Não que mereçam ser esquecidos, nada disso, fazem parte de mim, mas gostava de ter tão boa memória para outras coisas, diria eu, mais úteis.
   Não as saberia ordenar cronologicamente, claro, se não fosse a minha mãe. Foram acontecimentos que de alguma forma me marcaram, lembro-me como se fosse hoje, as cores, os sentimentos, literalmente pequenos fragmentos da minha vida. O facto de praticamente todos serem "maus", no entanto, faz-me pensar na minha maneira de ver as coisas, desde bem cedo...

   Assim de repente, das poucas memórias positivas é de quando ainda usava fralda, mas já era naquela fase de transição, já era "crescidinha". Lembro-me de a minha mãe me abrir a fralda e exclamar "Ahhh, muito bem, não fizeste xixi na fralda!" (que orgulho... se calhar mais valia ter feito, já que era uma fralda das novas, daquelas descartáveis, um bom upgrade para quem usava maioritariamente fraldas de pano)

   Depois vem um rol de quedas e feridas, uma das quais deu origem à pequena cicatriz que tenho no sobrolho. Ia eu alegremente pelo meu quintal quando me deu na cabeça perseguir um pato. Daqueles branquinhos, com o bico amarelo, fofinhos. Mas eu queria mesmo era apanhá-lo, qual Elmyra dos Tiny Toons. Não o apanhei. Cheguei à pequena horta ao lado da casa e não reparei que havia umas cordinhas a delimitar os canteiros. O pato fez uns quantos slaloms para se escapar da criatura horrenda que o perseguia e eu tropecei no primeiro fio que se me apareceu à frente. Caí, claro está, na única pedra com tamanho suficiente para aleijar que por ali se encontrava. Lembro-me de me levantar, espetar a mão imediatamente na têmpora e ir a correr para a minha avó. A caminho lembro-me de olhar de lado para a mão e ver sangue a escorrer, aí sim, comecei aos berros. A memória seguinte é na cama, a debater se me deviam levar ao enfermeiro dos bombeiros para levar pontos. Aqui é que a memória já me falha, acho que cheguei a ir lá e que ele disse que podia levar um ponto mas que não era essencial (tal era a gravidade da coisa...), só sei que me opus veementemente à ideia de me espetarem uma agulha, ao menos deram-me ouvidos... Hoje em dia as agulhas não me fazem impressão nenhuma, se calhar tinha menos uma cicatriz por esta altura se não tivesse sido tão mariquinhas...
   Entre entalões quando brincava no carro antigo do meu tio com os meus primos, quedas e tropeções vários, aventuras com os animais lá de casa há muito que explorar, que eu era bastante desastrada.

   Outra situação passou-se num parque infantil. Os mosquitos e melgas sempre gostaram muito de mim. Na altura a minha mãe besuntava-me com Caladryl e uma outra pomada da qual não me lembro do nome, mas ambas tinham em comum o formar de uma espécie de "capa" protectora que eventualmente começava a escamar... Estava eu sozinha, os meus pais lá ao fundo a ver se eu não me magoava, quando chega um grupo de miúdos, com os quais de boa vontade partilharia o escorrega. Partilharia se eles não chegassem ao pé de mim, como se de um alienígena se tratasse, e me expulsassem com o argumento "tu és esquisita, estás a pelar, sai daqui"... eram muitos, fugi a correr e a minha mãe foi-lhes lá dar um raspanete. Nunca mais fui ao tal parque...



   Mas a mais antiga é mesmo capaz de ser quando a minha tia e os meus primos se foram embora para a Austrália. Lembro-me de estar ao portão com a minha mãe a dizer adeus à minha tia, que levava o meu primo mais novo ao colo. à medida que a minha tia se afastava, a minha mãe começou a chorar. Na altura nem me apercebia do que estava a acontecer, mas comecei a chorar também, claro...

Valham-me as fotografias para ver que a minha primeira infância não foi feita só de lesões e trapalhadas :)


Adenda: que parvoíce, esquecimento imperdoável, das melhores memórias que tenho, talvez a melhor, tinha eu quase 4 anos, foi de andar num C-130 a caminho dos Açores, espreitar pela janela e ver nuvens cor-de-rosa, ao fim do dia, pareciam de algodão :)

sábado, 17 de março de 2012

Manimal

"Dr. Jonathan Chase... Wealthy, young, handsome. A man with the brightest of futures. A man with the darkest of pasts. From Africas's deepest recesses, to the rarefied peaks of Tibet, heir to his father's legacy and the world's darkest mysteries. Jonathan Chase, master of the secrets that divide man from animal, animal from man, Manimal!" 
 

Alguém se lembra disto? O que eu adorava esta série! Fui averiguar e afinal só teve 8 episódios (o que são 8 episódios hoje em dia?)... Naquele tempo valiam ouro, a mim pareceram-me várias temporadas, ainda hoje me lembro de pormenores (se me tentar lembrar de pormenores das séries que vou acompanhando nos dias que correm, se calhar escapa-me muita coisa...).

A série é de 1983, cá em Portugal não sei quando passou, mas deve ter sido no início dos anos 90 (a minha memória é muito mais fotográfica que cronológica). É mais uma série de combate ao crime, desta feita pelo Dr. Jonathan Chase, com o apoio do seu amigo Ty Earl e da Detective Brooke Mckenzie, os únicos que conhecem o seu segredo: ele pode transformar-se no animal que quiser.

Com efeitos especiais típicos da época, agora se calhar já não será a mesma coisa, mas vou tentar arranjá-la, quanto mais não seja para ficar como recordação.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Memórias do passado

Gosto de fotografia. Não tenho especial jeito nem nunca aprendi, mas gosto. De vez em quando saíam-me umas fotos fantásticas. Saíam-me, não saem, porque já não tenho máquina fotográfica (a do telemóvel não conta, é horrível). Hei-de ter, quando puder.

Andei a 'arrumar' o computador, e encontrei umas fotografias que pensava já ter apagado. Sim, porque há uns anos deu-me a pancada e andei a apagar fotografias a torto e a direito. Depois arrependi-me, claro, mas na altura soube-me bem. Algumas fiz bem em apagá-las, mas podia ter sido esperta e guardar as que não têm pessoas... é mesmo só porque tinha algumas fotografias mesmo boas...

Claro que vi coisas que me fizeram saudades, coisas boas, amizades que ainda poderiam existir se não fosse uma série de mal-entendidos. Mas o passado está lá atrás e não vale a pena pensar muito no que já não tem emenda. Não vale a pena, mas penso sempre "e se...", por mais que não queira.

Dos melhores verões que já tive, se não o melhor, só lá faltou mesmo uma pessoa.



Obrigada A.L. por fazeres parte da minha vida, tu mais que ninguém percebes este sentimento, perdeste tanto como eu, naquele tempo. Desde o início foste uma boa amiga, sempre tiveste um jeito especial para me perceberes, quando a maior parte dos outros não se esforça para ver mais além.


Note to self: Do a better job erasing photographs OR keep your files well organized in the future.