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sábado, 2 de junho de 2012

Tunísia

Acalmados os ânimos, vou partilhar convosco uma das minhas memórias mais bonitas, que teve lugar na Tunísia. Não me lembro do ano, tenho de começar a apontar nas fotografias esse tipo de dados, já que o meu cérebro não colabora. Devia rondar os 17-18 anos, também não vem muito ao caso. Há muitos detalhes da viagem dos quais também não me lembro bem, portanto isto hoje é curto.

Sei que fomos de Portugal num avião da TunisAir cujo nome tinha lá pelo meio a palavra Kacem. A coisa prometia, portanto.


Já no destino, juntámo-nos a mais umas pessoas que vieram do Porto e conhecemos o nosso guia, muito simpático mas não me lembro do nome. Lembro-me que falava português, que era vaidoso como tudo e que se vestia à arabesco mas com estilo, todo o pormenor muito bem planeado. Além do guia do grupo conhecemos também o nosso condutor, visto que íamos numa caravana de 4x4 para todo o lado. Também não me lembro do nome mas era um bastante familiar (de repente só me ocorrem Abdul e Jafar - o do aladin - mas acho que era algo parecido com Mahmud). Era mais calado, mais tímido, só falava francês, mas lá lhe demos a volta e a meio da viagem já estávamos todos à vontade.
Lembro-me do cuidado que o guia tinha em avisar-nos sempre que chegávamos a qualquer lado dos sítios onde podíamos beber sem que dez minutos depois não tivéssemos de ir a correr à casa de banho. Penso que em toda a viagem me escapei de grandes dores de barriga, já não posso dizer o mesmo do meu pai, que fez o "Mahmud" ultrapassar os limites de velocidade a caminho do hotel a pedinchar em francês porque tinha mesmo mesmo MESMO de ir à casa-de-banho ASAP. O "Mahmud", assim como o resto das pessoas no carro, ria-se, claro. Foi antes de chegarmos a este hotel:


Claro que o meu pai zarpou a alta velocidade lá para dentro ainda nós estávamos a sair do carro. É para aprender a beber só água mineral engarrafada. Houve uma parte da viagem em que o guia nos levou lá a um amigo para beber limonada, dizia ele que era a melhor e que era feita com água engarrafada. Foi um bom negócio para todos, porque de facto era capaz de ser a melhor limonada que alguma vez provei, e FRESCA (que a Tunísia é coisa para ser no meio do deserto).

Em Matmata ficámos num hotel com uma construção típica da região, onde as habitações são 'esculpidas', para não dizer 'escavadas', a partir do ambiente envolvente. De facto é do tipo de construção onde se estava melhor, era mais fresquinho e menos pretensioso que os hotéis todos xpto.

O hotel
Uma das voltinhas na região
Também em Matmata fomos visitar o local onde decorreram algumas das filmagens do Star Wars. No filme estaríamos então no planeta Tatooine, onde o Luke passou a sua infância com os tios.

O local das filmagens
O Luke infelizmente não se encontrava lá, tinha ido caçar uns guardas imperiais

Podia estar um calor infernal, mas tínhamos sempre algo com que nos refrescar, apesar de andarmos sempre dum lado para o outro:


Também andámos a ver ruínas romanas, em Cartago, andámos pelas ruas mais comerciais, onde era obrigatório regatear, apesar de eu não apreciar, vimos mercados mais tradicionais. Trouxe pouca coisa, apesar de as coisas lá serem relativamente baratas. Trouxe incenso, trouxe uns frasquinhos de perfume em vidro trabalhado para a minha mãe, lindos de morrer, e baratos, sendo que já os vi cá à venda em algumas daquelas bancas que tem 1001 coisas do género, com pulseiras e tal, e custavam o triplo, trouxe um penduricalho contra o mau olhado, uma espécie de olho azul, que andou séculos pendurado no retrovisor do carro, não por ser contra o mau olhado mas porque eu gostava mesmo daquilo, era bonito. Cheguei a ver cá à venda mas eram muito mais feios. Ainda o tenho, mas está reformado. Eram zonas bonitas, mas algumas muito turísticas.


Um belo dia, em Tunis, resolvemos pegar em nós e dar uma voltinha sem o guia. Levámos só o essencial, por segurança, e lá fomos nós. Foi engraçado, nada do outro mundo, mas resolvemos voltar para trás quando chegámos a um mercado tradicional e... bom, digamos que com aquele calor, ver carne pendurada às moscas e com uma cor (e o cheiro, senhores, o cheiro) duvidosa... ficou gravada na minha memória a imagem de uma mão de vaca pendurada, meia esbranquiçada/amarelada, com as pontas das unhas enegrecidas.
Tunis
O calor era, por regra, infernal, mas até se aguentava bem, porque era seco. Lembro-me de uma altura, lá no meio de umas ruínas, calhaus e mais calhaus até onde a vista alcança, perguntei que temperatura estaria ao guia, ele olha para o relógio todo armadilhado que tinha e diz-me que estão 49 graus... surpreendentemente, não me lembro de ter apanhado nenhum escaldão, e oh se sou susceptível...
Quanto à comida, não tenho do que me queixar. Não comi muita carne, porque também não sou muito disso, mas comi muito couscous, de todas as maneiras e feitios. Comi bem, sempre. Nunca houve lado nenhum em que não gostasse da maior parte das coisas que me apresentavam. Foi lá que pela primeira vez vi azeite a servir de entrada, com pão. E que bom que era. Há muito olival para aquelas bandas, e bom azeite.

Mas chegamos à parte que aqui me trouxe, a melhor parte desta viagem, sem qualquer margem para dúvidas. Ksar Ghilane, um oásis no meio do deserto do Sahara (não será no meio, mas parece). E é o típico oásis que nós imaginamos. Palmeiras, água no meio e uma imensidão de areia à volta. Ainda levou bastante até lá chegarmos, lembro-me de pensar que se TODOS os 4x4 por algum motivo se avariassem ali estávamos bem arranjados. A meio caminho havia uma espécie de posto de apoio, com água e outras coisas, e tinha também lá estes amigos:

Raposas-do-deserto, ou fenecos
Não sei porque lá estavam, não sei o que lhes iam fazer, fiquei um bocado apreensiva, mas elas estavam sossegadas e pareciam bem tratadas, e as pessoas dali não tinham mau ar...
Fizemos algumas paragens para esticar as pernas, e aproveitámos para guardar um pouco da areia do deserto para trazer como recordação. A areia do deserto é tão fininha, e varia de cor de local para local. Ainda tenho ali os frascos numa prateleira, juntamente com calhaus e conchas de outras viagens.
Chegando ao oásis, foi um deslumbramento do princípio ao fim. Fomos ver as nossas tendas, pousar as coisas, tomar um banho e trocar de roupa, para depois nos juntarmos todos para uma festa à noite. Foi lindo, uma fogueira no meio, tudo divertido, os guias e os condutores todos animados, puseram-se a dançar uns com os outros (que isso de dançar homens com mulheres lá não se usa). Foi bonito. Ainda fui à piscina dar uma de foquinha, até a piscina era linda, com água até à borda, com uma cor verde (em vez do tradicional azul) fantástica. No fim da noite, estávamos nós no bar, um dos guias perguntou ao meu grupo (éramos 6 ou 7 ou 8, já não me lembro) se não queríamos ir ver uma coisa bonita. Ninguém percebeu muito bem o quê, mas seguimo-lo. Quando começamos a segui-lo para trás de umas dunas, sem vermos um boi à frente, já estávamos preparados para lutar pela nossa vida. Até que passadas as últimas palmeiras, dei com o céu estrelado mais fascinante que alguma vez vi até agora. Sentámo-nos todos no topo de uma duna a contemplar o céu. Até hoje, sempre que me lembro disto emociono-me. Já não me lembro se ele contou alguma história, eu também de francês não pesco muito. Lembro-me de enterrar as mãos na areia e de sentir as camadas inferiores ainda quentes. Era lua nova, o que facilitou ainda mais a vista. A escuridão do deserto também. Passado um bom bocado lá fomos dormir, mas eu e o meu pai levantámo-nos cedo para ver se dávamos com aquele sítio para ver o nascer do sol. Lá fomos nós, eu ainda fui com a camisola do pijama, que mal abria os olhos. Dei por mim a reparar que no caminho havia imensos trilhos de bichos rastejantes, pelo que na noite anterior não estávamos sozinhos, deviam estar milhares de bichos à nossa volta, mas tudo bem, aproveitei muito melhor assim, sem estar com a preocupação em manter-me viva no meio de cobras e escorpiões. Bom, para dizer a verdade só vi grilos e escaravelhos... mas não interessa. O nascer do sol não foi tão interessante como o céu estrelado, mas foi uma visão bonita de qualquer modo, a imensidão de areia à nossa volta. Estava muita poeira no horizonte, pelo que o brilho do sol estava perfeitamente suportável para olhar directamente, pelo menos até certa altura. Ksar Ghilane é um must-see se forem um dia à Tunísia. Parece que também há boas praias, mas essas não me calharam na rifa. Quem sabe se um dia lá voltar... Podem ver mais fotos aqui (cliquem nas fotos e vejam a galeria toda) ou aqui (link), mas deixo-vos algumas minhas de Ksar Ghilane para terminar:

o acampamento


a toca de um ser rastejante, como o grilo aqui à esquerda, e os trilhos característicos


quinta-feira, 19 de abril de 2012

Grécia v.2.0

Quando fiz o scan das fotos do Alabama, encontrei algumas que me tinham faltado da Grécia (sim, eu sei, sou uma pessoa muito organizada eheh).

Escolhi as que gostava de ter partilhado nos devidos posts e, mesmo fora de tempo, cá vão elas:


Túmulo do soldado desconhecido - Praça Syntagma, Atenas

Vouliagmeni

Vouliagmeni




Canal do Corinto
Canal do Corinto


Hydra

Poros
Meteora

Meteora


Meteora

quarta-feira, 18 de abril de 2012

EUA #1 - Alabama

Em 2001, o meu pai foi colocado na Base Aérea de Maxwell, perto de Montgomery, no estado do Alabama. Algum tempo depois, fui lá visitá-lo (que rica vidinha que eu tinha, quem me dera hoje poder fazer o mesmo, aproveitava muito mais a viagem). Fui sozinha de Portugal, num voo com escala em Frankfurt e em Newark, com destino a Atlanta, na Geórgia. A partir daí o meu paizinho ia-me buscar de carro.

Penso que o voo entre Frankfurt e Newark demorou cerca de 11 horas, já não consigo afirmar com certeza. A que vos escreve, esperta como tudo, ficou ao pé da janela, para ver tudo. Só que a esperteza não me valeu de muito... sendo que a maior parte da viagem é feita através do oceano, essa parte perdeu a piada num piscar de olhos. O senhor que estava sentado ao meu lado foi praticamente o caminho todo a dormir, o que seria muito bom se ele não fosse o meu maior obstáculo para chegar ao WC. Nunca consegui dormir em viagens de avião, ficava sempre com a sensação de que não podia perder um segundo que fosse, de tão bom que era. E verdade, não adormeci nem um segundo naquelas horas infindáveis. Nem depois de ver o Finding Forrester, grande filme que, se a memória não me falha, estava ainda em exibição no cinema em Portugal. Nem depois de mudar de canal e ficar séculos a olhar para o display do mapa, com altitudes, temperatura do ar, previsão de chegada, etc., alternando com a janela do avião. Nem depois de ler e ouvir música. Nem depois de horas a ouvir o estupor do homem a ressonar ao meu lado e eu aflita para ir ao WC. Acordou na hora H, estava a chegar ao meu limite e teria de o acordar.
Enfim, gosto de aviões, não me chateou quase nada serem tantas horas. Se calhar, caso haja uma próxima, peço um lugar de corredor.

Chegando aos EUA, e é de frisar que ainda não tinha ocorrido o 11 de Setembro, passei por 13423456 medidas de segurança, desde ter de deitar o pãozinho com queijo que tinha guardado para as 2 horas de espera entre voos para um caixote de bio-hazard, a ter de esmiuçar todo o conteúdo da minha mala (verbalmente, que eu saiba não me abriram a mala), responder às perguntas da praxe sobre o que ia fazer, quanto tempo ia demorar, com quem ia ter, dispositivos electrónicos - quais e para quê, etc... ia eu com um visto da NATO, o que seria se fosse com um visto de turista e viesse do Iraque...

O voo doméstico foi mais pacífico, fez-se num instante. Chegando a Atlanta, já de noite e de carro a caminho de Montgomery, aconteceu-nos uma típica dos filmes. Íamos numa auto-estrada, quase não se via vivalma, ali a roçar o limite de velocidade (para eles, uma milha acima do limite já é motivo suficiente para nos caírem em cima). A auto-estrada tinha um separador central que era uma espécie de vala pouco funda, com erva alta. Passou um carro por nós, não muito depressa, mas depressa o suficiente para ir a 5 ou dez milhas acima do limite... Em instantes vejo um carro da polícia a sair da vala, luzes e sirenes ligadas, e pensei algo como "pronto, já fomos". Sorte, foram atrás do outro, escusado será dizer que a partir daí fomos sempre 5 milhas abaixo do limite.

Montgomery era uma cidade pacífica, nada de muito especial, mas aquela Base Aérea era um Mundo. Tinha de t-u-d-o. E linda que era, tinha campo e tudo. Esquilos, campo de softball, Burguer King, cantinas várias, fora os edifícios, pistas e hangares.

Percebo perfeitamente como é que naquele país há tanta gente obesa. Eu, se lá vivesse, passaria certamente por essa fase, não tanto por comer muito da mesma coisa mas por ter tanta variedade disponível. Tirei a barriga de misérias, e ainda trouxe algumas coisas. Até pacotinhos de molhos de algumas cadeias de fast food de lá eu trouxe, porque eram tão bons e cá não havia.... e, mania minha, alguns guardei, guardei, guardei, como se de um tesouro se tratasse, até que deixei passar a validade e alguns (poucos, que dei conta do resto) foram parar ao lixo. Que desperdício...

A partir de Montgomery visitámos vários locais, dos quais destaco as DeSoto Caverns, o Lake Martin e o Coosa River, em Wetumpka.



DeSoto Caverns

Wetumpka foi sem dúvida o meu favorito. Fomos com um grupo de pessoal lá da base fazer canoagem nos rápidos. Eu, canoagem... e rápidos... Não se afigurava nada de bom, claro. Mas o sítio era tão lindo que me distraí dessa preocupação e até achei boa ideia. Lanchinho, roupa desportiva, fato de banho e lá fomos nós.


Eu e o meu pai ficámos numa canoa, decidimos não arriscar a ir cada um no seu kayak (porque claro que eu não chegaria em bom estado ao final do dia). A primeira parte foi calminha, para nos habituarmos, eu demorei um pouco a atinar com os remos, mas o meu pai ia compensando. Chegámos ao primeiro set de rápidos, foi aí que eu ponderei saltar da canoa fora e nadar até à margem, o meu pai que se safasse sozinho naquelas águas revoltas, violentas e assassinas. Mas não, contive-me, armei-me em forte e passámos o primeiro desafio de forma brilhante. E eram rápidos de classe II, perfeitamente aceitáveis e próprios para newbies ou amadores. "Sorte", pensei eu, "mas isto ainda não acabou, como é que vou sobreviver a isto?". Passámos os segundos, os terceiros, os quartos, sem que nenhum dos dois caísse da canoa. "Boa, afinal isto não é tão complicado como eu pensava, remo para aqui, remo para ali, fecho os olhos nas partes piores e pronto, já está". Algum trabalho a retirar o excesso de água de dentro da canoa, mas nada de problemático.


Até que chegou o merecido descanso, parámos numa zona tão calma que a água parecia um espelho, uns aqui, outros mais à frente, outros mais atrás. O pessoal resolveu que era boa altura para o lanche, e eu prontamente tirei do saco a minha lata de Mello Yello (um refrigerante com sabor não sei muito bem de quê, mas eu gostava, era desse e do Mountain Dew) e qualquer coisa de comer que agora não me lembro o que era, mas que comi num ápice. Sol, calor, íamos mandando umas bocas ao resto do pessoal enquanto lanchávamos. Uma das regras básicas de segurança era uma pessoa não se levantar dentro da canoa, enquanto esta estivesse na água. Foi algo que nos foi explicado no início, e que me pareceu bastante lógico. Não me perguntem porquê, o meu pai resolve levantar-se. Depois de uma espécie de dança índia, que durou coisa de segundos e à qual eu assisti em choque enquanto levava a lata à boca para degustar mais um pouco daquele néctar artificial, comecei a ver o Mundo à minha volta a deslocar-se lateralmente, enquanto a água se aproximava de mim como se me quisesse engolir.


Claro que virámos a canoa e fomos parar à água.

Onde, nos rápidos? Não, na parte mais calma do rio, onde nem uma brisa se fazia sentir.

Depois de uns momentos de confusão em que não sabia para que lado estava virada, se para o fundo do rio se para cima, lá consegui voltar à canoa, que o meu pai entretanto já tinha virado. No meio disto tudo, qual foi a primeira coisa a voltar para o interior da canoa?

A lata de Mello Yello, que eu religiosamente mantive agarrada na minha mão esquerda e que agora deitava uma água acastanhada em vez do líquido amarelo que eu há minutos bebia.

Estava eu ainda dentro de água, ocorreu-me que por aquelas paragens era provável que existissem cobras de água e outros animais (quem sabe tubarões e crocodilos - claro...) que, nesse momento, estavam em massa a dirigir-se para mim para me fazerem mal. Foi por essa altura que eu reparei que estávamos perto da margem e, tão depressa como nunca antes, para lá nadei.

A partir daqui de pouco me lembro, sei que o meu pai depois me veio buscar à margem e que o resto da viagem correu bem, sem mais incidentes. Mas destes minutos lembro-me bem, como se tivessem passado ontem.

Lembro-me que, antes de ir embora, fomos comer a um restaurante mexicano que lá havia, muito caseiro, e bom como tudo. Deve ter sido o sítio onde melhor me soube a comida, mexicana ainda por cima, que eu adoro. O que me faz lembrar que, em todos os sítios onde comi, a bebida tinha refill grátis. Nesse restaurante lembro-me que bebi coca-cola (que cliché) e vinha uma senhora roliça, meia índia, encher-nos o copo com um jarro cada vez que passava pela mesa. Lembro-me de pensar na altura que, se fosse cá, era a selvajaria total. Só quando chegou cá o Ikea é que vi utilizarem o mesmo sistema, e ao princípio bem via a ganância das pessoas, mas penso que entretanto já se tornou num hábito. Mas o que seria se cá em todos os McDonalds pusessem as máquinas de bebidas à disposição de todos...

Outra pequena viagem que fizemos foi ao Lake Martin, com um casal amigo que tinha dois filhos, a Francesca, com 6 anos, e o Benjamin, com 4. Foram a minha paixão no tempo em que estive lá na base. Nessa viagem fizemos um churrasco na margem do lago, nadámos até ficar com as mãos engelhadas, fartámo-nos de brincar. Está bem, eu tinha 18 anos e eles 4 e 6... Ainda cheguei a andar com os dois ao colo, mas assim ao menos compensava o excesso de calorias que andava a ingerir :) Até doeu quando tive de me despedir, eles fizeram questão de juntar umas prendas para me dar, ainda as tenho guardadas. Coisinhas deles, brinquedinhos, joguinhos, desenhos. Fez-me pensar muito no que podia ter sido e não foi, por azares e injustiças da vida.


Tenho pena, tenho a sensação que podia ter aproveitado muito mais, gostava muito de voltar a atravessar o atlântico. Ainda tive tempo de ir visitar a Disney World antes de voltar a Portugal, mas isso fica para outro post.


terça-feira, 17 de abril de 2012

Próximo post

Quando conseguir fazer mais uns scans, vou escrever sobre como a combinação de uma canoa, uma lata de Mello Yello e o Rio Chattanooga, no Tennessee Rio Coosa, no Alabama, pode resultar num episódio de tragicomédia. Basta para isso ter lá estado a minha pessoa, e pior, com alguém que partilha a minha "graciosidade". Tenho bem a quem sair.



Edit: Ignorem a minha má memória geográfica...

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Grécia #3 - Ilhas e outros sítios lindos

Para acabar esta mini-série grega, resolvi falar das ilhas e de um ou outro local que eu acho indispensável referir.
A Grécia tem mais de 6000 ilhas e ilhéus, apesar de só 227 serem habitadas. Eu visitei 3, e nenhuma delas se enquadra no estereótipo típico de "ilhas gregas". Essas hei-de eu visitar um dia (pausa para sonhar acordada).

Hydra
  
As três ilhas que visitei, Aegina (Egina ou Αίγινα), Hydra (Hidra ou Ύδρα) e Poros (Πόρος), fazem parte das Ilhas Sarónicas, um dos arquipélagos gregos, localizado no Mar Egeu. São as 3 próximas do Peloponeso, a extensa península grega, portanto basta uma viagem de barco relativamente curta, e é coisa que se pode ver num dia (mas gostava de ter aproveitado melhor).

Aegina

Poros

É engraçado quando reparo na maneira como arrumei as ilhas no meu cérebro. Para mim, Aegina foi a ilha dos pistácios (que eu adoro, cá são caríssimos e lá são óptimos e baratos). Além do turismo, a cultura da pistaceira tinha ali um papel relevante. Achei Poros tão bonita que para mim ficou a ilha dos artistas. Soubesse eu pintar e tinha ali matéria-prima para quadros sem fim. E Hydra... ahhh, Hydra, a ilha dos gatos... e melhor, bem alimentados, bem tratados, não eram gatos por tudo quanto era lado, qual descontrole de natalidade. Assim sim! E bonitos! E em Hydra não havia trânsito automóvel, melhor um pouco.
Hydra

Claro que não se resumia a isto, mas foi o que mais ficou. O turismo típico, restaurantes, boa comida, boa praia. Se há coisa da qual nunca me hei-de esquecer é do tom de azul do Mar Egeu. É um azul profundo, como cá não se vê. Não sei se é por ser um mar em vez de oceano, só sei que é lindo. Água límpida que até parece mentira. Aí sim, faz lembrar a ideia das ilhas gregas paradisíacas.

Para chegar ao Peloponeso, passa-se pelo Istmo de Corinto. Após a construção do Canal de Corinto, o Peloponeso, apesar de ser oficialmente uma peninsula, transformou-se na prática numa enorme ilha. O canal rasga o istmo de um lado ao outro com o propósito de facilitar a navegação às embarcações mais pequenas (tendo como referência os cargueiros internacionais, esses não cabem lá). É que assim poupa-se-lhes darem a volta ao Peloponeso, o combustível está caro e sempre são à volta de 400 km. Pelo que andei a investigar, passam lá cerca de 11 mil embarcações por ano, sobretudo turísticas (portanto parece-me ter sido uma boa ideia).
 
Esta foto não é minha, parece que perdi fotos pelo caminho porque não encontrei as que tirei no canal

Entre Atenas e o Peloponeso, tropeçámos em mais 3 ou 4 mil monumentos e demos com uns locais bem bonitos. A Grécia tem realmente muito de bom para ver, quando a situação económica melhorar (a deles, a nossa e a minha) hei-de lá voltar.

Algures entre Atenas e o Peloponeso, à beira da estrada.
Que bem que se nadou (note-se que aqui a foquinha era a única dentro de água)

Vouliagmeni - bela esplanada onde comi a melhor tosta de queijo com tomate e orégãos que provei até hoje

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Grécia #2 - Αθήνα

Discute-se se Atenas deve o seu nome à Deusa Atena, a deusa da guerra, da civilização, da sabedoria, da estratégia, das artes, da justiça e da habilidade (ufa!) ou se é a deusa que deve o nome à cidade.

A Acrópole, vista oposta à cidade
Nunca fui muito de História, nunca tive jeito, mas em Atenas há História a cada dois metros. Se uma pessoa se distrai durante dois segundos, já passou por 2 monumentos e está prestes a dar uma trombada no terceiro.

Parte da Ágora, dedicada a Zeus
Independentemente de não apreciar História por aí além, a cidade consegue conquistar-nos pela sua cultura, pela sua beleza, pela sua confusão, pelas pessoas. Tem sítios lindíssimos e é uma cidade onde se circula facilmente, quer a pé quer de metro.

Tive a sorte de ficar alojada perto do centro, portanto qualquer volta que se desse dava para ficar a conhecer bem aquela zona, não foi coisa de lá ir visitar uma vez e pronto. Passei muitas vezes pela Praça Syntagma, onde se encontra o Parlamento e o Túmulo do Soldado Desconhecido. Assisti ao render da guarda, o que tem sempre alguma piada pelas figuras que se vêem. Na altura nem conseguiria imaginar o estado da Grécia hoje em dia, nem que alguém chegasse ao desespero de se suicidar ali.

Praça Syntagma


Render da Guarda

O grego é uma língua estranhíssima, mas o inglês serve para o que for preciso. A comida é óptima, pelo menos para o meu gosto, e é sobretudo saudável. Ao contrário de outros países que visitei, aqui era difícil escolher mas porque gostava de tudo (o que é sempre um ponto extremamente positivo).

Atenas é uma cidade enorme. Enorme e bastante preenchida. Vista de um ponto alto, é uma imensidão de edifícios que até mete impressão.


A visita à Acrópole foi das poucas situações em que as obras de preparação da cidade para os Jogos Olímpicos de 2004 foram mais visíveis. Acho que não houve fotografia dali que não tivesse apanhado um ou outro andaime. Nem o Templo de Diana escapou.

Templo de Diana
 
Acrópole, pessoas e andaimes

Gostava de lá ir novamente, quando estes tempos mais difíceis tiverem sido ultrapassados.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Monasterio de Piedra v.2.0

Ainda a propósito do post sobre o Monasterio de Piedra, creio ter-vos ficado a dever umas fotos tiradas por mim:





Sem edição fotográfica, a beleza é genuína :)