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sábado, 2 de junho de 2012

Ingredientes de sonho #3


                             Couscous/Cuscuz                                              Bulgur


Hoje trago estes dois produtos de trigo que, apesar de ligeiramente diferentes, podem ser utilizados de forma semelhante. O couscous é tipico do norte de África: Marrocos, Tunísia, Líbia e Argélia, enquanto o bulgur é mais utilizado no lado europeu: Grécia, Turquia, Arménia (o Brasil também se tornou grande utilizador de bulgur, chamam-no de triguilho ou trigo de quibe).
Enquanto o couscous é formado por pequenos grânulos de sêmola de trigo, o bulgur não é mais do que trigo partido, e por isso tende a ter uma preparação mais demorada. Tanto um como outro permitem uma infinidade de combinações, tanto quentes como frias. São uma boa base para se lhes juntar bacon, legumes, fiambre ou queijo aos cubos, miolo de camarão, ananás, frutos secos, enfim, tudo aquilo de que gostarmos. Também se adapta a todo o tipo de temperos que apreciarmos, o que ainda aumenta mais o potencial destes ingredientes.
Costumo preparar o couscous à parte, medindo a quantidade que desejo, pondo num recipiente, junto-lhe sal, um pouco de alho em pó e orégãos, um fio de azeite e igual medida de água a ferver, deixando repousar até a absorver totalmente. Depois, com um garfo, vou raspando o couscous do recipiente, para ficar soltinho. Em quente costumo fazer com bacon e cogumelos (por vezes também courgette) que preparo numa frigideira, aos quais junto o couscous e ananás caramelizado (feito à parte). Em frio costumo juntar ao couscous já preparado beterraba, tomate, ervas aromáticas e raspa de limão, queijo ralado, cenoura ralada e por vezes maçã aos cubos, temperando como uma salada, ou, quando me está a apetecer abusar, com um pouco de maionese. Gosto muito também de tabbouleh (link), mas ainda não fiz cá em casa. Fica para quando me decidir a fazer hummus (link) e baba ghanoush (link), que também adoro.

Podem ver mais exemplos de receitas aqui, aqui, aqui ou aqui, mas tudo depende da vossa imaginação.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Biopost #3 - Abacate (Persea americana)

Andava há já algum tempo com uma ideia na cabeça, até que resolvi investigar mais a sério a viabilidade da mesma.


Facto: Adoro abacate.

Coisas da vida: É-me difícil arranjar abacates de boa qualidade, amadurecidos correctamente ou passíveis de serem amadurecidos correctamente em casa.


Resultados possíveis da junção dos dois elementos acima:
  • A vontade de comer abacate atinge tal nível que acabo por cair na asneira de comprar abacates verdes (e não tenho jeito nem paciência para os amadurecer em casa);
  • Fico a olhar durante 5 minutos, a duvidar se a boa aparência dos abacates que repousam na prateleira, a chamar por mim, se deve de facto à sua boa qualidade ou se é a vozinha cá dentro que me está a embelezar o cenário.
  • Mais frequentemente do que considero razoável, sou induzida em erro e em casa reparo que o que aparentava ser um bom abacate está quase todo castanho, seja por ter sido mal amadurecido seja pela quantidade de pessoas mal educadas, egoístas e... bom, já chega de insultos, que vêem com as mãos. São as mesmas pessoas que apalpam todo o legume e fruta que se lhes aparece à frente, nada gentilmente, e que normalmente acabam por não levar nenhum. Devem ter pouca noção da força que têm, os estupores... era andar com uma cana na mão e acertar-lhes nos nós dos dedos, a ver se aprendiam...
  • Acontece também algumas vezes o abacate ter todos os sinais de perfeição, e quando chega a hora H sabe a verde. Estes ainda consigo aproveitar, têm boa textura, mas não dão o mesmo gosto. Disfarço com mais sal, limão e cominhos.
  • Em alguns momentos épicos, em que parece que se abrem as nuvens e através delas passa uma luz divina, acompanhada de uma música celestial.... A coisa corre bem. Quando corre bem acontece levar quantos abacates posso com o pouco dinheiro que possuo na carteira, depois de um breve cálculo de quantos abacates posso eu comer antes que se estraguem.
Instruções aqui

 Bom, passando a parte em que não bato bem da cabeça à frente, passemos à minha ideia: criar os meus próprios abacates. Como vi tanta vez, pega-se num caroço, espetam-se uns palitos, mergulha-se num copo, põe-se ao sol, depois eventualmente passa-se para um vaso. Mesmo sendo uma árvore de grande dimensão, podando aquilo deve ficar com uma altura razoável para ter aqui no quintal. E mesmo que tivesse de esperar 3 ou 4 anos para que a árvore desse fruto, depois podia ter TODOS os abacates que quisesse, quando quisesse, e da maneira que quisesse!

 O êxtase durou pouco tempo.

Parece que afinal criar um abacateiro é até uma tarefa relativamente fácil, o pior é mesmo a parte do dar fruto. Primeiro, porque a semente que criarmos tem baixa probabilidade de vir a dar uma árvore com as mesmas características da "mãe". Com cruzamentos e enxertos pelo meio, era de esperar, eu é que estava cega com o sonho de poder vir a nadar em abacates. Depois, para assegurar a polinização e posterior formação de fruto, convém ter pelo menos 3 ou 4 árvores, de modo a haver polinização cruzada. A auto-polinização é complicada, porque os órgãos masculinos e femininos da planta desenvolvem-se dessincronizadamente. Aqui há diferenças entre cultivares: cultivares tipo A e tipo B, com sincronização diferente entre os órgãos masculinos e femininos. Tenho espaço, mas não para 3 ou 4 árvores, por muito que as pode...
 Outro pormenor que desconhecia é que os frutos chegam apenas a um determinado estado de maturação enquanto na árvore, para amadurecer mesmo têm de se tirar, tal como acontece com as bananas. Poderia ser vantajoso para que eu não tivesse de comer abacate de enfiada, que aquilo ainda é bastante calórico. Por tentativa e erro conseguia aprender a amadurecê-los como deve ser, penso eu.


Fiquei também a saber alguns pormenores com mais ou menos relevância ou piada, que aqui partilho:
aqui
  • É uma árvore da família das Lauráceas, assim como o louro, a canela e a cânfora;
  • É originária do México;
  • A variedade nativa, não-domesticada, chama-se criollo, é pequena e com uma maior proporção do fruto ocupada pela semente;
  • O nome vem do espanhol aguacate, que por sua vez vem da linguagem indígena ahuácatl, que significava testículo;
  • Há uma série de cultivares diferentes: Choquette, Hass (a minha favorita), Gwen, Lula, Pinkerton, Reed, Bacon, Brogden, Ettinger, Fuerte, Monroe, Sharwil, Zutano, Spinks, Sir Prize, Walter Hole (a bold as mais comuns cá em Portugal);
  • Partes da planta são bastante tóxicas para alguns animais: gatos, cães, vacas, cabras, coelhos, ratazanas, aves, peixes e cavalos.
  • Há uma Comissão Californiana do Abacate: http://www.avocado.org/
  • O abacate é um fruto rico em gorduras monoinsaturadas, como o azeite, daí o seu alto valor calórico.
  • É também um fruto bastante nutritivo, com valores significativos de vitamina E, ácido fólico, potássio, vitaminas do complexo B e fibra.
Como gosto bastante de comida mexicana, o abacate é uma peça chave. Dependendo do tempo, paciência e qualidade do fruto, costumo prepará-lo de várias maneiras: cortado aos cubos, regado com sumo de limão e sal; esmagado com um garfo, com limão, sal e cominhos; esmagado com um garfo ou passado com a varinha mágica, juntando-lhe depois sal, lima ou limão, cominhos, cebola e tomate bem picados, coentros picados e eventualmente um pouquinho de alho em pó, pimentos picados ou jalapeños. Com nachos, sem nachos, sozinho, acompanhado, é bom de qualquer maneira. Há quem o coma como doce, com açúcar ou mel, eu pessoalmente não aprecio.


Deu para notar que me está a apetecer bastante agora, não deu? :)


quinta-feira, 12 de abril de 2012

Grécia #3 - Ilhas e outros sítios lindos

Para acabar esta mini-série grega, resolvi falar das ilhas e de um ou outro local que eu acho indispensável referir.
A Grécia tem mais de 6000 ilhas e ilhéus, apesar de só 227 serem habitadas. Eu visitei 3, e nenhuma delas se enquadra no estereótipo típico de "ilhas gregas". Essas hei-de eu visitar um dia (pausa para sonhar acordada).

Hydra
  
As três ilhas que visitei, Aegina (Egina ou Αίγινα), Hydra (Hidra ou Ύδρα) e Poros (Πόρος), fazem parte das Ilhas Sarónicas, um dos arquipélagos gregos, localizado no Mar Egeu. São as 3 próximas do Peloponeso, a extensa península grega, portanto basta uma viagem de barco relativamente curta, e é coisa que se pode ver num dia (mas gostava de ter aproveitado melhor).

Aegina

Poros

É engraçado quando reparo na maneira como arrumei as ilhas no meu cérebro. Para mim, Aegina foi a ilha dos pistácios (que eu adoro, cá são caríssimos e lá são óptimos e baratos). Além do turismo, a cultura da pistaceira tinha ali um papel relevante. Achei Poros tão bonita que para mim ficou a ilha dos artistas. Soubesse eu pintar e tinha ali matéria-prima para quadros sem fim. E Hydra... ahhh, Hydra, a ilha dos gatos... e melhor, bem alimentados, bem tratados, não eram gatos por tudo quanto era lado, qual descontrole de natalidade. Assim sim! E bonitos! E em Hydra não havia trânsito automóvel, melhor um pouco.
Hydra

Claro que não se resumia a isto, mas foi o que mais ficou. O turismo típico, restaurantes, boa comida, boa praia. Se há coisa da qual nunca me hei-de esquecer é do tom de azul do Mar Egeu. É um azul profundo, como cá não se vê. Não sei se é por ser um mar em vez de oceano, só sei que é lindo. Água límpida que até parece mentira. Aí sim, faz lembrar a ideia das ilhas gregas paradisíacas.

Para chegar ao Peloponeso, passa-se pelo Istmo de Corinto. Após a construção do Canal de Corinto, o Peloponeso, apesar de ser oficialmente uma peninsula, transformou-se na prática numa enorme ilha. O canal rasga o istmo de um lado ao outro com o propósito de facilitar a navegação às embarcações mais pequenas (tendo como referência os cargueiros internacionais, esses não cabem lá). É que assim poupa-se-lhes darem a volta ao Peloponeso, o combustível está caro e sempre são à volta de 400 km. Pelo que andei a investigar, passam lá cerca de 11 mil embarcações por ano, sobretudo turísticas (portanto parece-me ter sido uma boa ideia).
 
Esta foto não é minha, parece que perdi fotos pelo caminho porque não encontrei as que tirei no canal

Entre Atenas e o Peloponeso, tropeçámos em mais 3 ou 4 mil monumentos e demos com uns locais bem bonitos. A Grécia tem realmente muito de bom para ver, quando a situação económica melhorar (a deles, a nossa e a minha) hei-de lá voltar.

Algures entre Atenas e o Peloponeso, à beira da estrada.
Que bem que se nadou (note-se que aqui a foquinha era a única dentro de água)

Vouliagmeni - bela esplanada onde comi a melhor tosta de queijo com tomate e orégãos que provei até hoje

domingo, 1 de abril de 2012

Sunday Moods #3





"Let me feel you, carry you higher
Watch our words spread hope like fire
Secret crowds rise up and gather
Hear your voices sing back louder"