quinta-feira, 7 de junho de 2012

Planos matinais v.2.0.

A bola ficou a descansar, para evitar acidentes.

O percurso foi: Parede - McDonald's de Cascais para um sundae de caramelo - Parede

Soube maravilhosamente bem, apesar de na volta as pernas já se queixarem um bocado e do Sol estar a queimar.

Porquê anular a queima calórica com um gelado? Foi mais forte que nós, ainda por cima algures no meio do caminho vimos isto:


Isto não se faz...

Demos com a 4ª edição da Exposição Internacional de Escultura. Esta 'obra' é do Peter Gilbert, que a denominou de Perna de Pau XXL, em inglês Wooden Leg XXL.(porque é que isto me faz rir?)

A exposição vai estar no Passeio Marítimo do Estoril até dia 13 de Junho, para quem quiser ir passear à beira-mar.

Dei por mim a pensar como raio é que não ponho as patas na praia, na água, há tanto tempo. Houve ali alturas que parecia que estava de férias, cheirinho a mar, calor, cheiro a protector solar... ahhh que saudades. Numa próxima caminhada a ver se levo o fato-de-banho e na volta, para refrescar, atiro-me à água.

Planos matinais

Siga uma caminhada com a A.L. no paredão. A bola vai connosco, para o caso de apetecer dar uns toques (ou, com a minha sorte, provocar um acidente na marginal, ou perder a bola na água. Se calhar deixo a bola sossegada...).

Foto de Tó Cortez, retirada daqui (link)

Bom feriado!

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Equívocos

Este tem dedicatória. Só não posso dizer a quem, mas se a pessoa em questão chegar a ler isto, pode ser que perceba.

Más interpretações vão acontecendo, umas aqui, outras ali, umas menos importantes, outras mais marcantes. Por vezes olhamos para trás e sentimos alívio, por outras arrependimento, ou um misto dos dois.
Deste equívoco, ainda não estou longe o suficiente para perceber bem qual o sentimento que fica, mas ainda bem que alguma coisa se salvou.

Quanto mais não seja, que haja à-vontade para conversar normalmente ou para nos rirmos um bocado.


 Tem sido uma honra  :)

terça-feira, 5 de junho de 2012

Embirrâncias à parte

Por vezes, sem existir algum motivo válido (ou pelo menos do qual eu me orgulhe), embirro com alguém, às vezes sem sequer conhecer a pessoa. Seja por juízos prévios e sem fundamento, seja por algum comentário do qual não gostei, seja por uma pontinha de ciúme, seja porque já sei de antemão que a pessoa não presta mesmo, seja por intuição.
Sinto-me estúpida por embirrar com alguém assim (mesmo que sejam poucas as pessoas que me provocam este sentimento), mas acho que acontece a todos. O importante é ter a noção de que é um sentimento muitas vezes sem fundamento e tentar manter o animalzinho cá dentro, que insulta essa pessoa só por respirar, sob controle.
Mesmo tendo este animalzinho cá dentro, foram muitas as vezes que genuinamente tive momentos em que admirei essas pessoas por algum motivo. Coisas tão simples como um sentido de humor bem afinado (e refinado) ou atitudes altruístas que não se esperavam do que se conhece dessa pessoa. E por momentos abre-se ali uma janela que pode dar azo ao fim da embirrância, ou pelo menos sempre relaxa o ambiente.

Nos meses em que estive na vacaria acontecia-me isso com uma rapariga que lá estava. Éramos incompatíveis a nível de feitio, nem digo que ela fosse má pessoa, mas tinha-lhe um pó... e ela a mim, era um facto, mas eu tinha mais motivos que ela, e válidos (eheh). Mesmo assim, havia momentos em que calhava estarmos as duas no escritório e, passados aqueles momentos de silêncio (com os quais estávamos orgulhosamente bastante à vontade), ou uma ou outra comentava qualquer coisa com piada e dali saíam umas boas e genuínas gargalhadas. Ou então nas vezes em que até demonstrou ter algum carinho ou preocupação com um ou outro vitelo ou vaca, é bom ver que afinal não era de todo brutinha (mais psicologicamente que fisicamente). Dali não saiu nem vai sair uma bela amizade, há demasiada incompatibilidade. Mas pelo menos há um concordar em discordar. Não se pode gostar de toda a gente, mas pelo menos pode encontrar-se um ou mais motivos para não se gerar um sentimento muito negativo.

A minha última embirrância, confesso, é por alguém com quem nem troquei uma palavra. Não conheço mais do que aquilo que escreve, seja no blogue ou em comentários. Mas teve uma saída brilhante, tenho de reconhecer que foi brilhante e que gostei. Pode ser que isto me passe. Gostava que me passasse, não gosto de não gostar :)

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Despertares

Agora que acabei de escrever o título não consigo deixar de me lembrar do filme, mas este post não vem a propósito disso.

Quanto a acordar de manhã, especialmente se temos horários a cumprir, cada um com a sua "mania". Quanto a mim, normalmente acordo por volta da mesma hora (perto das 7-8, depende da luz), com ou sem despertador. Se puder dormir mais, sigo dormindo. Pelo sim pelo não, como tenho por vezes o sono bastante pesado ou não descanso como devia, recorro ao despertador sempre que necessário.
A minha relação com despertadores, ao longo dos anos, tem sido complicada. Não pode ser muito violento, senão acordo irritada, desligo o despertador como puder e volto a dormir como se nada fosse. Se for rádio, ou música calminha, bem pode tocar que eu continuo a dormir. Cheguei a ter um daqueles mais clássicos, de campainha, mas por pouco tempo, que aquilo é de levar um santo à loucura:

Aconselhável apenas a quem não precisar de despertador e a quem não se importe com o tic-tic-tic constante

O que repousa agora na minha mesa de cabeceira está desligado. É aquela questão do rádio (que já nem apanha bem porque uma das gatas roeu o fio da antena) vs buzzer. Isso e cada vez que falta a luz a preguiça que me dá para o acertar, era coisa de ficar uns dias a piscar, o que se torna um pouco desagradável quando acordo durante a noite. É um destes:


Hoje em dia, à falta de um melhor acordar (consigo imaginar umas quantas maneiras de acordar muito mais agradáveis), tenho o meu fiel companheiro, que para pouco mais serve do que para me dar música:


Mesmo assim, consigo dar um toque de insanidade à coisa. O alarme está com esta música (link), com a particularidade de ter a repetição de 2 em 2 minutos. Mais que isso e é o fim da picada. Menos que isso e era melhor ir direita ao Júlio de Matos. De dois em dois minutos consigo ficar com a sensação que carrego no botão para adiar muitas vezes e se a coisa for bem feita levo cerca de 15-20 minutos no máximo para me levantar. Apanhei esta mania quando estava numa casa que não era a minha, sozinha, numa exploração agro-pecuária, quando tinha de estar na vacaria às 7 da manhã, fato de macaco vestido, galochas calçadas. Não deixava era tocar mais que duas-três vezes, que aí tinha o sono bem mais pesado...

Bom dia e boa semana!

sábado, 2 de junho de 2012

Ingredientes de sonho #3


                             Couscous/Cuscuz                                              Bulgur


Hoje trago estes dois produtos de trigo que, apesar de ligeiramente diferentes, podem ser utilizados de forma semelhante. O couscous é tipico do norte de África: Marrocos, Tunísia, Líbia e Argélia, enquanto o bulgur é mais utilizado no lado europeu: Grécia, Turquia, Arménia (o Brasil também se tornou grande utilizador de bulgur, chamam-no de triguilho ou trigo de quibe).
Enquanto o couscous é formado por pequenos grânulos de sêmola de trigo, o bulgur não é mais do que trigo partido, e por isso tende a ter uma preparação mais demorada. Tanto um como outro permitem uma infinidade de combinações, tanto quentes como frias. São uma boa base para se lhes juntar bacon, legumes, fiambre ou queijo aos cubos, miolo de camarão, ananás, frutos secos, enfim, tudo aquilo de que gostarmos. Também se adapta a todo o tipo de temperos que apreciarmos, o que ainda aumenta mais o potencial destes ingredientes.
Costumo preparar o couscous à parte, medindo a quantidade que desejo, pondo num recipiente, junto-lhe sal, um pouco de alho em pó e orégãos, um fio de azeite e igual medida de água a ferver, deixando repousar até a absorver totalmente. Depois, com um garfo, vou raspando o couscous do recipiente, para ficar soltinho. Em quente costumo fazer com bacon e cogumelos (por vezes também courgette) que preparo numa frigideira, aos quais junto o couscous e ananás caramelizado (feito à parte). Em frio costumo juntar ao couscous já preparado beterraba, tomate, ervas aromáticas e raspa de limão, queijo ralado, cenoura ralada e por vezes maçã aos cubos, temperando como uma salada, ou, quando me está a apetecer abusar, com um pouco de maionese. Gosto muito também de tabbouleh (link), mas ainda não fiz cá em casa. Fica para quando me decidir a fazer hummus (link) e baba ghanoush (link), que também adoro.

Podem ver mais exemplos de receitas aqui, aqui, aqui ou aqui, mas tudo depende da vossa imaginação.

Pôr a leitura em dia

Com isto tudo, tenho imensa coisa para ler no mundo da blogosfera, já estive a dar uma olhadela mas depois do almoço ponho tudo em dia.

Tunísia

Acalmados os ânimos, vou partilhar convosco uma das minhas memórias mais bonitas, que teve lugar na Tunísia. Não me lembro do ano, tenho de começar a apontar nas fotografias esse tipo de dados, já que o meu cérebro não colabora. Devia rondar os 17-18 anos, também não vem muito ao caso. Há muitos detalhes da viagem dos quais também não me lembro bem, portanto isto hoje é curto.

Sei que fomos de Portugal num avião da TunisAir cujo nome tinha lá pelo meio a palavra Kacem. A coisa prometia, portanto.


Já no destino, juntámo-nos a mais umas pessoas que vieram do Porto e conhecemos o nosso guia, muito simpático mas não me lembro do nome. Lembro-me que falava português, que era vaidoso como tudo e que se vestia à arabesco mas com estilo, todo o pormenor muito bem planeado. Além do guia do grupo conhecemos também o nosso condutor, visto que íamos numa caravana de 4x4 para todo o lado. Também não me lembro do nome mas era um bastante familiar (de repente só me ocorrem Abdul e Jafar - o do aladin - mas acho que era algo parecido com Mahmud). Era mais calado, mais tímido, só falava francês, mas lá lhe demos a volta e a meio da viagem já estávamos todos à vontade.
Lembro-me do cuidado que o guia tinha em avisar-nos sempre que chegávamos a qualquer lado dos sítios onde podíamos beber sem que dez minutos depois não tivéssemos de ir a correr à casa de banho. Penso que em toda a viagem me escapei de grandes dores de barriga, já não posso dizer o mesmo do meu pai, que fez o "Mahmud" ultrapassar os limites de velocidade a caminho do hotel a pedinchar em francês porque tinha mesmo mesmo MESMO de ir à casa-de-banho ASAP. O "Mahmud", assim como o resto das pessoas no carro, ria-se, claro. Foi antes de chegarmos a este hotel:


Claro que o meu pai zarpou a alta velocidade lá para dentro ainda nós estávamos a sair do carro. É para aprender a beber só água mineral engarrafada. Houve uma parte da viagem em que o guia nos levou lá a um amigo para beber limonada, dizia ele que era a melhor e que era feita com água engarrafada. Foi um bom negócio para todos, porque de facto era capaz de ser a melhor limonada que alguma vez provei, e FRESCA (que a Tunísia é coisa para ser no meio do deserto).

Em Matmata ficámos num hotel com uma construção típica da região, onde as habitações são 'esculpidas', para não dizer 'escavadas', a partir do ambiente envolvente. De facto é do tipo de construção onde se estava melhor, era mais fresquinho e menos pretensioso que os hotéis todos xpto.

O hotel
Uma das voltinhas na região
Também em Matmata fomos visitar o local onde decorreram algumas das filmagens do Star Wars. No filme estaríamos então no planeta Tatooine, onde o Luke passou a sua infância com os tios.

O local das filmagens
O Luke infelizmente não se encontrava lá, tinha ido caçar uns guardas imperiais

Podia estar um calor infernal, mas tínhamos sempre algo com que nos refrescar, apesar de andarmos sempre dum lado para o outro:


Também andámos a ver ruínas romanas, em Cartago, andámos pelas ruas mais comerciais, onde era obrigatório regatear, apesar de eu não apreciar, vimos mercados mais tradicionais. Trouxe pouca coisa, apesar de as coisas lá serem relativamente baratas. Trouxe incenso, trouxe uns frasquinhos de perfume em vidro trabalhado para a minha mãe, lindos de morrer, e baratos, sendo que já os vi cá à venda em algumas daquelas bancas que tem 1001 coisas do género, com pulseiras e tal, e custavam o triplo, trouxe um penduricalho contra o mau olhado, uma espécie de olho azul, que andou séculos pendurado no retrovisor do carro, não por ser contra o mau olhado mas porque eu gostava mesmo daquilo, era bonito. Cheguei a ver cá à venda mas eram muito mais feios. Ainda o tenho, mas está reformado. Eram zonas bonitas, mas algumas muito turísticas.


Um belo dia, em Tunis, resolvemos pegar em nós e dar uma voltinha sem o guia. Levámos só o essencial, por segurança, e lá fomos nós. Foi engraçado, nada do outro mundo, mas resolvemos voltar para trás quando chegámos a um mercado tradicional e... bom, digamos que com aquele calor, ver carne pendurada às moscas e com uma cor (e o cheiro, senhores, o cheiro) duvidosa... ficou gravada na minha memória a imagem de uma mão de vaca pendurada, meia esbranquiçada/amarelada, com as pontas das unhas enegrecidas.
Tunis
O calor era, por regra, infernal, mas até se aguentava bem, porque era seco. Lembro-me de uma altura, lá no meio de umas ruínas, calhaus e mais calhaus até onde a vista alcança, perguntei que temperatura estaria ao guia, ele olha para o relógio todo armadilhado que tinha e diz-me que estão 49 graus... surpreendentemente, não me lembro de ter apanhado nenhum escaldão, e oh se sou susceptível...
Quanto à comida, não tenho do que me queixar. Não comi muita carne, porque também não sou muito disso, mas comi muito couscous, de todas as maneiras e feitios. Comi bem, sempre. Nunca houve lado nenhum em que não gostasse da maior parte das coisas que me apresentavam. Foi lá que pela primeira vez vi azeite a servir de entrada, com pão. E que bom que era. Há muito olival para aquelas bandas, e bom azeite.

Mas chegamos à parte que aqui me trouxe, a melhor parte desta viagem, sem qualquer margem para dúvidas. Ksar Ghilane, um oásis no meio do deserto do Sahara (não será no meio, mas parece). E é o típico oásis que nós imaginamos. Palmeiras, água no meio e uma imensidão de areia à volta. Ainda levou bastante até lá chegarmos, lembro-me de pensar que se TODOS os 4x4 por algum motivo se avariassem ali estávamos bem arranjados. A meio caminho havia uma espécie de posto de apoio, com água e outras coisas, e tinha também lá estes amigos:

Raposas-do-deserto, ou fenecos
Não sei porque lá estavam, não sei o que lhes iam fazer, fiquei um bocado apreensiva, mas elas estavam sossegadas e pareciam bem tratadas, e as pessoas dali não tinham mau ar...
Fizemos algumas paragens para esticar as pernas, e aproveitámos para guardar um pouco da areia do deserto para trazer como recordação. A areia do deserto é tão fininha, e varia de cor de local para local. Ainda tenho ali os frascos numa prateleira, juntamente com calhaus e conchas de outras viagens.
Chegando ao oásis, foi um deslumbramento do princípio ao fim. Fomos ver as nossas tendas, pousar as coisas, tomar um banho e trocar de roupa, para depois nos juntarmos todos para uma festa à noite. Foi lindo, uma fogueira no meio, tudo divertido, os guias e os condutores todos animados, puseram-se a dançar uns com os outros (que isso de dançar homens com mulheres lá não se usa). Foi bonito. Ainda fui à piscina dar uma de foquinha, até a piscina era linda, com água até à borda, com uma cor verde (em vez do tradicional azul) fantástica. No fim da noite, estávamos nós no bar, um dos guias perguntou ao meu grupo (éramos 6 ou 7 ou 8, já não me lembro) se não queríamos ir ver uma coisa bonita. Ninguém percebeu muito bem o quê, mas seguimo-lo. Quando começamos a segui-lo para trás de umas dunas, sem vermos um boi à frente, já estávamos preparados para lutar pela nossa vida. Até que passadas as últimas palmeiras, dei com o céu estrelado mais fascinante que alguma vez vi até agora. Sentámo-nos todos no topo de uma duna a contemplar o céu. Até hoje, sempre que me lembro disto emociono-me. Já não me lembro se ele contou alguma história, eu também de francês não pesco muito. Lembro-me de enterrar as mãos na areia e de sentir as camadas inferiores ainda quentes. Era lua nova, o que facilitou ainda mais a vista. A escuridão do deserto também. Passado um bom bocado lá fomos dormir, mas eu e o meu pai levantámo-nos cedo para ver se dávamos com aquele sítio para ver o nascer do sol. Lá fomos nós, eu ainda fui com a camisola do pijama, que mal abria os olhos. Dei por mim a reparar que no caminho havia imensos trilhos de bichos rastejantes, pelo que na noite anterior não estávamos sozinhos, deviam estar milhares de bichos à nossa volta, mas tudo bem, aproveitei muito melhor assim, sem estar com a preocupação em manter-me viva no meio de cobras e escorpiões. Bom, para dizer a verdade só vi grilos e escaravelhos... mas não interessa. O nascer do sol não foi tão interessante como o céu estrelado, mas foi uma visão bonita de qualquer modo, a imensidão de areia à nossa volta. Estava muita poeira no horizonte, pelo que o brilho do sol estava perfeitamente suportável para olhar directamente, pelo menos até certa altura. Ksar Ghilane é um must-see se forem um dia à Tunísia. Parece que também há boas praias, mas essas não me calharam na rifa. Quem sabe se um dia lá voltar... Podem ver mais fotos aqui (cliquem nas fotos e vejam a galeria toda) ou aqui (link), mas deixo-vos algumas minhas de Ksar Ghilane para terminar:

o acampamento


a toca de um ser rastejante, como o grilo aqui à esquerda, e os trilhos característicos